Mas hoje, no nosso aniversário de um mês separados, posso dizer que foi você quem me ensinou a lição mais importante da minha vida: você me ensinou a sofrer.Eu nunca, nunca, em vinte e um anos de vida, tinha sofrido.
Em casa, quando eu dobrava direitinho o uniforme para o dia seguinte e me sentia um papel de parede bege que ninguém entende pra que serve, eu pensava: um dia um príncipe vai me levar pra longe dessa falta de vida, dessa falta de beleza, dessa falta de compreensão, dessa falta de cor, dessa falta de sei lá o que porque eu era novinha demais pra saber o que faltava.
Esperar o raio do príncipe sempre disfarçou minha dor, sempre me refugiou dela. Mas quando você, no dia 19 de junho de 2012, me mandou seguir meu caminho sozinha, fiquei sem saber como fugir da dor.
Você era meu príncipe.
Depois de tantos amores estranhos, pequenos, errados e tortos, finalmente eu tinha reconhecido no seu olhar centralizado e no seu sorriso espalhado, o meu príncipe. E o meu príncipe estava me dando o fora. Que porra eu ia esperar da vida agora? Quem iria me levar para longe se você não me queria mais por perto? Não teve como. Foi a primeira vez na vida que não consegui me enrolar e acabei deixando a dor vencer. Pela primeira vez a realidade falou mais alto que a fantasia. Pela primeira vez a realidade da sua ausência falou mais alto que a fantasia de anos a sua espera. Sofri pra caralho, como diz por aí quem sofre pra caralho.
Mais do que músicas bacanas, frases inteligentes do CFA, lugares descolados ou posições sexuais, você me ensinou o que realmente importa aprender nessa vida: que a vida pode ser uma grande, imensa e gigantesca merda.
É, ela pode ser. E que não existe porra de príncipe porra nenhuma. Que nem ninguém e nem nada pode te levar para longe de nada. É isso e pronto. E é assim pra todo mundo. E pronto.A dor da sua partida trouxe toda a dor do mundo. De uma só vez. Mas agora já passa da meia noite. Não é mais nosso aniversário de fim e, pra te falar a verdade, eu já não sofro mais o nosso fim tanto assim. E pra te falar ainda mais a verdade, eu acho mesmo que você foi o príncipe que eu esperei a vida inteira. Você chegou e me levou embora. Levou embora a menina que tinha medo de sentir a vida e esperava uma salvação para tudo. Quem sobrou é essa desconhecida que se conhece muito bem que tem, uns pais gente boa , adora os poucos e estranhos amigos, não espera mais pelo cavalo branco, mas fica ansiosa pelo início da novela e talvez esteja pronta para amar de verdade.
Amar um homem e não um príncipe.
Você não sabe, nem sonha, mas você acaba de zerar minha vida. Minha vida era vestir a armadura e relembrar com dor pela milésima vez todos os últimos podres de todas as pessoas podres que passaram ultimamente pela minha vida. Você acaba de zerar tudo. Este texto é pra te falar uma coisa boba. É pra te pedir que não tenha medo. Sabe esses textos que eu publico aqui falando bobagem? Sabe esses textos falando que eu sei disso e sei daquilo? Eu não sei de nada. Eu só queria poder chegar em casa e ver tudo diferente. Ver tudo bonito. Ver tudo como de fato é. E você salvou minha vida. Eu só queria que esta minha vontade de perdoar o mundo durasse. Hoje eu não odiei o Itau, a TIM, o IPVA, as despesas com o carro, o motoqueiro que me manda ir mais para o lado, o cara que fala caipira, aquela garota que você sabe quem é. Hoje eu não odiei nada nem ninguém. Não tenha medo deste texto. Não tenha medo da quantidade absurda de carinho que eu tenho por você. Nem de eu ser assim e falar tudo na lata. Nem de eu não fazer charme quando simplesmente não tem como fazer. Nem de eu ter ido dormir com dor na alma o fim de semana inteiro por não saber o quanto posso te tocar. Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de ser o máximo por tão pouco tempo. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer. Mas hoje eu não odeio nenhuma dessas pessoas. E hoje eu não me odeio. Hoje eu só fecho os olhos e lembro de você me pedindo sem graça para eu não deixar ninguém ocupar o seu lugar na minha vida. Tudo o que eu mais queria, por trás de todos esses meus textos tão modernos, sarcásticos e malandros, era de alguém que me pedisse para guardar o lugar. Tá guardado. (...) Hoje, depois de muito tempo, eu acordei e não me olhei no espelho. Eu não precisei confirmar se eu era bonita. Eu acordei tendo certeza. Não tenha medo. Eu sou só uma menina boba com medo da vida. Mas hoje eu não tenho medo de nada, eu apenas fecho os olhos e lembro de você me dando aquela flor, fazendo piada ruim às sete da manhã, me lendo no escuro mesmo com dor de cabeça.
Me faz bem lembrar que você nunca, nunca, nunca se alterava. Trouxesse o garçom o pedido errado pela terceira vez ou fizesse um playboy qualquer uma tremenda barbeiragem em cima do seu carro. Você nunca estragava nossas noites. Eram tão raros os nossos momentos, você dizia, que eram para ser sempre bons. E de fato sempre eram.
Eu tenho saudades de tudo. Da paciência que você tinha (…), da mania que você tinha de arrumar minhas roupas em cima da cama enquanto eu tomava banho e de quando você apertava os ossinhos das minhas costas no escuro e falava, baixinho: “ai, como essa menina gosta de fazer drama!”.
Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe.
Eu sei, eu sei, o eterno clichê “isso passa”. Passa sim e, quando passar, algo muito mais triste vai acontecer: eu não vou mais te amar.
É triste saber que um dia vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar. É triste saber que um dia vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer. O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim.
Meu amor está cansado, surrado, ele quer me deixar para renascer depois, lindo e puro, em outro canto, mas eu não quero outro canto, eu quero insistir no nosso canto.
Eu me agarro à beiradinha do meu amor, eu imploro pra que ele fique, ainda que doa mais do que cabe em mim. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz.
(Varios textos da Tati Bermadi, com algumas modificações.)
- Hoje comecei a ler Tati Bernardi e consequentemente lembrei de você, de nós, de tudo em volta, de tudo que tem acontecido a minha volta, das idas e vindas do meu sorriso, e de como eu tenho vivido a minha vida sem você, definitivamente sem você. E eu sei que você também esta seguindo sem mim, e de alguma forma eu sinto que você está bem e fico feliz com isso, como o livro Querido Jonh ( que você ficou com preguiça de ler) me ensinou, quando a gente gosta de uma pessoa a gente quer ve-la feliz independente de como, onde e com quem... muito embora eu também sinta que as vezes, assim como eu, pontualmente você sente a minha falta. As vezes nas tardes de domingo em que você não tem nada para fazer você se lembre de quando nós jogavamos xadrez na varanda e do dia que eu te ganhei sem querer, porque eu nunca ganharia de você em um jogo de logica. Eu nunca fui razão, você sabe, sempre fui emoção. Meu pecado sempre foi esse, emoção... ser intuitiva o suficiente pra ainda hoje eu poder afirmar pra você que eu tinha razão em muitas coisas, em muitos ciumes "bobos". Mas como diz o texto da Tati (minha mais nova amiga literaria), de alguma forma você salvou a minha vida no momento em que você apareceu e me fez acreditar que existem pessoas legais o suficiente e que de alguma forma eu posso me entregar sem medo de me magoar.
Nao que o fim não tenha magoado e que coisas que você tem feito nao tenham me magoado, mas o fim é sempre o fim e em alguns momentos, nesses momentos "eu to vivendo a minha vida" eu fico me perguntando se eu não ando magoando você também. E eu queria que você soubesse que eu não quero isso de jeito nenhum e você nem imagina o quanto de coisas eu não tenho chegado nem perto para nao te magoar. Independente do que você esteja fazendo, porque eu não sei... eu não quero saber pra nao doer, pra que eu não odeie você. Proibi definitivamente minhas amigas de falarem de você, embora eu sempre acabe falando e elas coitadas, sempre acabem escutando... eu espero que você esteja bem, e que essa tenha mesmo sido a escolha certa para nós dois.
Mas era isso, de alguma forma eu precisava desabafar, porque isso ainda é melhor que ligar pra você... Eu estou vivendo a minha vida e geralmente ando feliz, doi de vez em quando, doi quando acontece uma coisa ou outra. Mas passa, agora mesmo depois desse monte de texto que eu mudei juntei e que me fizeram lembrar você, escrever sobre você ja aliviou, as vezes é só isso desabafar.