segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Vida...

Vida... essa eterna corda bamba que a gente tem que enfrentar todos os dias, esse eterno ciclo de querer chegar inteiro do outro lado no fim do dia. Os tombos que a gente tem que levantar porque simplimente não dá pra ficar caido no chão enquanto o espetaculo acontece. Afinal, o show tem que continuar e se a gente cai e fica ali o espetaculo vai continuar acontecendo enquanto nós somos empurrados para a cochia... e atras da cochia nada acontece.
E ao andar nessa corda todos os dias eu comecei a olhar melhor a minha plateia, as pessoas que estavam do meu lado torcendo para que eu seguisse em frente, as que me deram uma mão, um incentivo quando eu pensei que eu havia caido pra sempre. Olhando para plateia vejo hoje um lugar vazio, na primeira fila, um lugar que era seu e continua ali vazio. Porque sim. Porque ninguém pode simplismente sentar ali. Porque as posiçoes se organizam. Pessoas novas entraram para assistir. Mas no seu lugar, ninguém senta. Tá proibido. E você também não entra mais, saiu e perdeu o ingresso, já era. Seu lugar esta vazio. E é um vazio que me desconcentra, que as vezes me faz balançar e quase cair de novo. Mas eu sigo em frente, não dá pra ficar olhando para tras. Estou com os joelhos ralados, as mão calejadas e o coração remendado. Não dá pra ficar caindo assim toda hora, porque feridas não cicatrizadas machucam mais quando abrem de novo. Você sabe. E sabe também que ninguém nunca vai ocupar seu lugar. Mas que a cadeira vai ser desparafusada e colocada lá atras, na cochia junto com a dele. No fundo do baú. Que chamamos de memoria. E outra pessoa vai colocar uma cadeira ali na primeira fila, onde ficava a sua e antes a dele. E o espetaculo continua. E os ingressos já estão sendo vendidos. Porque amanha de manha a gente começa tudo de novo, volta a se equilibrar. A tentar pelo menos. E se desequilibra, porque o desequilibrio também faz bem. E eu sei que você vai espiar da cochia "vez em quando", e seu sei que vai doer ver outra cadeira na primeira fila. Enquanto você fica sozinho na cochia observando escondido a minha vida acontecer. Ou vai embora viver a sua. Eu que continuo aqui, tentando me equilibrar no meu desequilibrio. Conviver com o meu medo de altura. Com meu medo de ficar sozinha. Com meu medo de deixar alguém entrar e ir embora como você fez. Ir embora antes do final, antes dos aplausos. Antes das flores. Ir e deixa mais um lugar vazio. Um lugar que tá sendo tão batalhado. Porque ir é facil. Dificil mesmo é pra quem fica. Pra quem tem que continuar andando quando a vontade é sentar e esperar a vida passar. Esperar a ferida curar. Dificil é ter coragem de deixar alguém te curar. Te cuidar. Te amar. E depois, talvez ir embora. E não deixar nada que cure. Nada que te equilibre. Nada que te console. Assim como você. Então torça por mim escondido. E eu sigo assim. Em frente. Torcendo por você também.